25 fevereiro 2010

II Encontro Feminino Hip-Hop Guarulhos

Avatar

Protesto: Avatar, ficção e realidade se encontam na Palestina

Fui assistir Avatar com o Guilherme logo que estreou em Fortaleza. Não conseguimos assistir em 3D porque as filas eram enormes e a eu não topei sujeitar meu filho àquele sacrifício. Mas a assistência no "jeito velho" de fazer cinema não nos privou de um belo filme e ao filme escutei o cabrinha do meu lado dizer: "Pai, que filme legal!"
Por Inácio Carvalho*


Foi com uma felicidade enorme que escutei aquela expressão exclamada. Eu tava numa dúvida danada em levá-lo pruma sessão com mais de duas horas de duração, com uma história que poderia ser complexa pra ele entender. Mas vi que apenas corri o risco de subestimar a capacidade de entendimento e o gosto do Guilherme por cinema.
De minha parte eu tive a mesma sensação. Que filme legal! Por isso fiquei meio contrariado com a análise feita semanas depois pelo Clóves Geraldo, do Portal Vermelho. Para ele, que viu no clássico Blade Runner uma relação com o conflito operário e patrão, Avatar prova que ainda é possível encantar o público através da máquina da ilusão chamada cinema. Ele ainda acrescenta: "Entre os truques e mágicas gerados pelas câmeras em 3D, trabalhados em estúdio a partir dos movimentos faciais e corporais dos atores e atrizes, pode-se vislumbrar até onde chega o cinemão hollywoodiano. Se as projeções em 3D criam o efeito de realidade, a profusão de elementos em cena, meio ambiente, humanóides e arsenal bélico muitas vezes se sobrepõem à história em si".
Como dizia aquela musica do Kid Abelha, onde foi que eu errei? Eu que tava todo animado com um filme onde eu via claramente uma potência militar invadindo um território cheio de riqueza mineral, destruindo seu povo, suas tradições, sua cultura e relacionava tudo isso à invasão do Iraque pelos Estados Unidos, me encantei com a máquina de ilusão hoolywoodiana? Fui e voltei no pensamento, nas minhas ideias e nos gostos cinematográficos, não vi nada de errado. Pensei em assitir novamente ao filme, e o farei, mas não por aquele dúvida, mas porque quero perceber melhor "os truques e mágicas gerados pelas câmeras em 3D, trabalhados em estúdio a partir dos movimentos faciais e corporais dos atores e atrizes", que contam inclusive com o competente trabalho do cearense Alfredo Luzardo. De minha opinião sobre o filme eu estava seguro.
Pois num é que na sexta feira passada, dia 12, enquanto o Brasil entrava na folia carnavalesca, jovens palestinos da pequena Billin, cidadizinha próxima à Ramallah, capital administrativa do território palestino,"se fantasiaram" de Na’vi, o povo de Pandora, para protestar contra mais uma barreira que os impediam de circular livremente e delimita áreas para a construção de assentamentos israelenses em território palestino. O objetivo era fazer um protesto pacífico, mas para os militares israelenses, não existe protesto que não mereça pelo menos bombas de gás, como você pode perceber no vídeo acima. "Nós vamos transmitir a nossa mensagem de forma rápida e mostrar a violência dos soldados israelenses quando atacam os protestos não-violentos e atiraram nas pessoas", diz Iad Burnat, um dos líderes das manifestações, que têm, inclusive, atraído israelenses contrárias à ocupação da Palestina.
Vi a notícia com satisfação dupla. Politicamente vejo que, mesmo numa situação extrema como a do conflito entre palestinos e israelenses, pode ter muita criatividade e se manifestar de um modo que amplie, que dialogue com outros segmentos, capazes de apoiar uma causa justa. Pessoalmente fiquei satifeito porque os fatos comprovavam que Avatar não me descolou da realidade e que o cinema fala sim de nossas vidas, mesmo os que falam contra nosso modo de pensar. É só apurar mais o olhar.
América Latina

25 de Fevereiro de 2010 - 12h16

Em Cuba, Lula reafirma marca progressista da política externa

Apesar de a mídia ter desviado atenções para a morte de um dissidente cubano, a visita do presidente Lula à ilha de Raúl e Fidel Castro foi muito positiva e cheia de significados. O brasileiro anunciou novo impulso às relações comerciais entre os países, para atenuar efeitos do bloqueio imposto a Cuba pelos Estados Unidos. Isso não apenas representa vantagens econômicas para ambas as nações, como reforça o caráter solidário da política externa do Brasil e consolida seus esforços de integração.

Lula e fidel

Lula termina governo consolidando boa relação com os Castro

Lula chegou à ilha na noite de terça (23), ao voltar de encontro regional em Cancún no México, no qual os países do continente deram um grande passo, ao definirem a criação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe.
Ao lado do presidente cubano, Raúl Castro, Lula visitou o Porto de Mariel, a 50 quilômetros de Havana, que será modernizado com verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para que seja transformado no maior porto da América Central. O investimento, segundo a Odebrecht, responsável pela obra, é de US$ 800 milhões, dos quais US$ 433 milhões serão financiados pelo governo brasileiro e o restante pelo governo cubano.
A ilha também negocia com o Brasil mais US$ 230 milhões, que serão revertidos em exportação de produtos e serviços. Os recursos serão destinados ainda à construção de rodovias, ferrovias e reabilitação e modernização das instalações portuárias.
Lula defendeu a importância de ajudar Cuba a se preparar para o fim do bloqueio, no qual ele acredita. Nesse sentido, o presidente quer ainda ampliar o comércio entre os dois países, que alcançou US$ 330 milhões, mas oferecendo um equilíbrio melhor na balança comercial, hoje favorável ao Brasil. Sete empresas brasileiras participaram do encontro comercial em Havana e estima-se que a reunião poderá resultar em negócios de cerca de US$ 1 bilhão. Ou seja, bons frutos para Cuba e para o Brasil.
Mas, por trás da questão específica da cooperação, estão refletidos alguns sinais importantes para identificar a marca que o presidente Lula vai deixar ao final de seu mandato. Para além do título de estadista do ano, o presidente brasileiro consolidou uma política externa pautada pela solidariedade, pela busca por integração regional com justas relações, e por uma aproximação com os países mais avançados do continente.
O fato de, ao fim do mandato, Lula fazer esse gesto em relação ao governo revolucionário da ilha dá ainda mais clareza à sua posição ao lado das nações antiimperialistas. Se conseguiu colocar-se num papel de protagonista global, o presidente conseguiu também o reconhecimento dos governos de esquerda, que o têm como um companheiro e aliado.
Talvez isso explique porque a mídia procurou minimizar os motivos do encontro de amigos entre Lula, Fidel e Raúl, voltando a atenção para a morte de um dissidente da ilha, que fazia greve de fome há mais de oitenta dias. Com muita tranquilidade, o governo de Cuba lamentou aquele que é o primeiro falecimento de um preso político cubano desde 1972.
"Lamentamos muito. Ele foi sentenciado a três anos por ter causado problemas e foi levado a nossos melhores hospitais. Morreu e lamentamos muito", afirmou Raúl Castro. Ele disse ainda que o preso Orlando Zapata Tamayo faleceu depois de protagonizar uma greve de fome e que este fato se deve à relação que os Estados Unidos estabelceram com Cuba.
Ele respondeu ainda às críticas das organizações de direitos humanos, que tentavam responsabilizar o regime. "Em meio século, não assassinamos ninguém aqui. Aqui ninguém foi torturado. Houve tortura na Ilha de Cuba, sim, mas na base de Guantânamo, que não é nosso território", disparou.
Em um evento de tamanho significado para a integração, os jornalistas privilegiaram a morte do dissidente talvez porque não consigam aceitar que o Brasil fez a opção acertada de se relacionar com as forças mais avançadas do continente. Também não assimilam que a pequena ilha revolucionária tenha conseguido se manter firme, símbolo da resistência às investidas dos Estados Unidos, e que encontre amigos solidários, como o governo brasileiro.
Não foi à tôa que, em um encontro de mais de duas horas com Fidel, Lula tenha ouvido dele muitos elogios por seu "brilhante desempenho" nesses quase oito anos de mandato. Ao sair da conversa, o brasileiro narrou ter encontrado o companheiro - que já não está em uma causa de repouso - "recuperado" e "excepcionalmente bem", muito melhor que quando o visitou em 2008.
Por Joana Rozowykwiat,
Da Redação, com agências

 Qdo? 07 DE MARÇO
 Ond? Associação Nação do Reggae Rua Guaratuba- Bela Vista (próx Rua 13)

Programação:
10h00 - Oficinas 5 elementos

11h00 - Lançamento Livro: “Hip-Hop a Lápis 2: A Literatura do Oprimido”

12h30 - Debate: Lugar de Mulher é em todo lugar, nosso dia é todo dia!
Convidadas: Luiza Cordeiro (Poder Legislativo- Guarulhos)
                   Eva de Oliveira (Poder Legislativo- Sumaré)
                   Olinda (Fórum de HipHop e Políticas Públicas)     
                   Mercedes Alencar (Nação HipHop Brasil)
                   Luciana (Nação HipHop Brasil- Marília)
                   Mariana Piovesan (Associação do Reggae)
                   Fran Fernanda(UJS)
                   Lunna (Site Mulheres no HipHop)
                   Flávia Costa (UBM/ Coordenadoria da Mulher)


15h00 - Intervenções Culturais (Traje Negriá, CTE Capoeiragem, e outras intervenções convidadas)

16h30 -  Jam Session com 16 músicos e microfone livre para Freestyle “Manifestação Original da Essência HipHop”.




Realização: União da Juventude Socialista


Co-Realização: Associação Nação do Reggae
                 União Guarulhense dos Estudantes Secundaristas
Apoio: Nação Hip-Hop Brasil
        Site Mulheres no Hip-Hop

23 fevereiro 2010

Pânico no BBB

Mídia

23 de Fevereiro de 2010 - 10h43

Pânico invade BBB10, desmoraliza Bial e zomba ao vivo da TV Globo

A TV Globo estuda medidas judiciais contra a Rede TV! após a bem-sucedida — e engraçada — invasão de um humorista do programa Pânico na TV, no último dia 2, ao Big Brother Brasil 10. As imagens foram ao ar na noite do último domingo (21).

Na gravação, o humorista Daniel Zukerman orientou o Agente DeLari — que atua no quadro "O Impostor". DeLari conseguiu se infiltrar na torcida da eliminada Tessália, obteve imagens clandestinas com uma câmera amadora e antecipou-se ao apresentador da atração, Pedro Bial, cumprimentando a ex-BBB.
A Globo considera a possibilidade de contestar a atitude do programa da RedeTV! judicialmente — e informa, constrangida, que a segurança foi reforçada para evitar novas investidas. Já Tessália comentou em seu twitter que também pretende acionar a RedeTV! pela intervenção de De Lari. “Quero enfatizar que não estou satisfeita com as atitudes referente à gravação do @programapanico e que medidas serão tomadas. #FimdePapo”, escreveu a ex-BBB.
Há a possibilidade de que toda a "invasão" mostrada seja falsa, visto que um produtor do Pânico, chamado Higor Math Corrêa, é amigo de Tessália. O nome de Corrêa consta em uma lista, autorizada pela mãe da ex-BBB, de pessoas autorizadas a estarem na plateia — o que descaracteriza a invasão mostrada no Pânico.
De uma forma ou de outra, a TV Globo afirma que a Rede TV! passou dos limites ao mostrar o apresentador Pedro Bial “esquentar” a plateia, de forma um tanto bizarra, cantando a música Palco, de Gilberto Gil. A RedeTV! declarou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se pronunciará sobre o caso.
Da Redação, com informações da Folha Online e do Portal Imprensa

17 fevereiro 2010

Colômbia

América Latina

17 de Fevereiro de 2010 - 13h17

Paramilitares admitem 30 mil assassinatos na Colômbia

A Promotoria colombiana divulgou nesta terça (16) dados impressionantes sobre a atividade de paramilitares no país. De acordo com relatório publicado pela Unidade de Justiça e Paz da Promotoria, 4.112 ex-combatentes do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) confessaram ter cometido 30.470 assassinatos em um período de 20 anos - entre meados dos anos 80 até 2003, quando teria se iniciado seu processo de desmobilização.

O número de mortes coloca os grupos paramilitares da Colômbia - um país cuja democracia é uma das mais antigas da América Latina - no mesmo nível de ditaduras da região, como a da Argentina (1976-1983), que deixou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos.
Entre os dados obtidos pela Promotoria estão os registros de 1.085 massacres; 1.437 menores de idade recrutados; 2.520 desaparecimentos forçados; 2.326 deslocamentos forçados; 1.642 extorsões; e 1.033 sequestros. As autoridades colombianas estão verificando as informações, que foram obtidas por meio de confissões previstas em um plano que dá aos ex-combatentes benefícios judiciais.
A Lei de Justiça de Paz, promovida pelo governo do presidente Álvaro Uribe, fixa uma pena máxima de 8 anos para os paramilitares que se submeterem à Justiça confessando seus crimes. Pelo menos 32 mil paramilitares teriam deixado as armas neste processo.
"O país deve ficar horrorizado com a revelação de um número tão alto de assassinatos sistemáticos", afirmou o analista Álvaro Villarraga, ex-membro da guerrilha Exército Popular de Libertação (EPL) e hoje diretor da Fundação Cultura Democrática. "Mas o triste é que esta estimativa pode estar bem abaixo da realidade." Segundo Villarraga, os números são um exemplo da crise humanitária "generalizada" pela qual a Colômbia ainda passa.

11 fevereiro 2010

Madonna no Brasil - essa letra saiu de uma vez só!

Van Damme seguiu o conselho de MV Bill
Avisou à Madonna a zona q é o Brasil
Ela veio e conferiu
Uma criança com um fuzil
Enquanto lá fora estourava a guerra
Conversava no palacio com o Serra

Pátria que o Pariu
Criança sem educação
Passa sua infancia em detenção
São Paulo anda na contra-mão
Avanços temos sim
O governo Federal
é Progressista,é real

Ha 16 anos eh assim.
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Sáh

06 fevereiro 2010

3º Encontro Nacional da Nação HipHop Brasil

6 de Fevereiro de 2010 - 12h07

Hip-Hop estremece a praia de São Vicente

Mano Oxi *

“Quem sabe faz a hora e não espera acontecer” foi exatamente isso que aconteceu na praia da Biquinha, em São Vicente, entre os dias 28 a 31 de Janeiro. Mais de mil manos e minas compareceram no 3º Encontro Nacional da Nação Hip-Hop Brasil, comprovando que o nosso movimento se mantém vivo e combativo mais do que nunca.

Ônibus com delegações de todas as partes do Brasil foram chegando na Praia de São Vicente. Mó satisfação rever guerreiros e guerreiras que contribuem na construção de nossa organização, em seus estados, todos juntos com um só sentimento.
O contingente de jovens foi tanto, que foram precisos dois alojamentos para acomodar tanta gente. Colchonetes, barracas e muito improviso foram determinantes para que tudo transcorresse na mais perfeita harmonia.
O sistema de credenciamento funcionou com muita tranqüilidade e olha que eu já tenho alguma experiência por participar de outros eventos nacionais de médio e grande porte. E, o que eu já vi por aí, me faz perceber que estamos em um momento de muito amadurecimento, disciplina e responsabilidade.
Foi a primeira vez que eu participei de uma atividade de hip-hop que garantiu café da manhã, almoço e janta, além de alojamento para todos os participantes que estavam devidamente credenciados.
Debates, oficinas e palestras foram determinantes para garantir a qualidade do conteúdo, sem contar nos convidados que marcaram presença e, que sem dúvida nenhuma enobreceram o 3º Encontro Nacional do Hip-Hop Brasil.
Quero destacar a participação de todos os grupos do rap nacional, que não só participaram do evento com suas performances de shows, como estiveram o tempo todo presentes nas discussões que aconteciam de maneira simultânea nos diferentes espaços temáticos.
Faço destaque para alguns em especial: Nelson Triunfo, Zé Brown, Marcão do DMN, DBS, Renan do grupo Inquerito Douglas do grupo “Realidade Cruel”, dentre tantos outros. Vereadores(as) como Raisule, Anderson 4P, Eva de Oliveira.
Reunir em um só evento grafiteiros, DJ’s, MC’s, b.boys e pensadores do movimento hip-hop e de fora dele, no mínimo nos faz pensar uma coisa: estamos vivenciando um momento novo dentro da nossa cultura, de muita diversidade de ideias e de perspectivas novas que garantam o futuro desta cultura, que vem transformando a realidade de quem sobrevive nas periferias do nosso país há cerca de 30 anos.
A estrutura do evento foi impecável, um palco com metragem profissional, som da melhor qualidade, iluminação a altura dos espetáculos e um serviço de logística capaz de responder a tempo os imprevistos eminentes.
A troca de informação e de intercambio com as outras cidades que lá se fizeram presentes fortaleceu ainda mais o movimento hip-hop brasileiro. Eu vi pessoas buscando a todo o instante conversar com outras pessoas, trocar telefones, e-mails, MSN’s, Orkuts e estabelecer um vinculo de amizade, ou que já existia, ou que naquele momento passou a existir.
Caminhando na noite da Praia de São Vicente, conheci um morador local que me disse: ‘’o lugar que a Nação Hip-Hop escolheu para realizar a abertura oficial do evento nunca antes na história havia sido ocupado por pessoas da periferia, quanto menos por jovens do movimento hip-hop.”
Isso me deu uma felicidade tão grande, porque naquele local estávamos quebrando tabus e reescrevendo a nossa história, sem palavras...
O show final ficou por conta das argentinas Actitude Maria Marta, que quebraram tudo em cima do palco, em seguida o grupo Face da Morte deu o seu recado com a qualidade de sempre e MV Bill finalizou o evento, fazendo um show onde ele cantou músicas dos seus primeiros trabalhos e de seus discos mais recentes. Neste momento a arena ficou consideravelmente cheia.
Não houve nenhum incidente, nenhum problema com os policiais, que estiveram o tempo todo no evento, policiando preventivamente garantindo total segurança pra todos que vieram de fora da cidade.
Quero agradecer a Prefeitura da Cidade que entendeu o objetivo deste encontro para o hip-hop nacional,
Ao Secretário de Cultura que se fez presente em diversos momentos durante as atividades e que segurou juntinho com a produção do evento, à toda equipe que contribuiu na organização do evento e à todos da Direção Nacional da Nação Hip-Hop Brasil que se mudaram há cerca de um mês antes da realização do evento para garantir que tudo pudesse correr de maneira profissional.
A leitura da carta na plenária final do evento foi emocionante, assim como o lançamento do 2º livro Hip-Hop a Lápis- Literatura do Oprimido. A presença de autoridades como Célio Turino representando o MinC, Deputado Estadual Raul Carrion representando a Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Ex-Delegado da Polícia Federal, Dr. Protogénes Queiroz, dentre outros.
Foi emocionante também a construção da 1º Rede Latino-Americana de Hip-Hop que foi ‘’fecundada’’ durante o evento e que marca mais um passo no fortalecimento do hip-hop Latino Americano. A eleição da nova Direção Nacional da Nação Hip-Hop Brasil foi emocionante onde eu destaco a entrada do Douglas, do Realidade Cruel, que sem dúvida nenhuma contribuirá mais ainda para o fortalecimento da Nação Hip-Hop Brasil em todo o País.
Parabéns ao conjunto de toda a nossa militância nacional, parabéns ao Aliado G, Toni C., Beto Teoria, Mercedes Alencar e à todos que contribuíram para a boa qualidade do evento.
Disso tudo fica uma grande lição para a nossa organização: “Quem sabe, faz a hora. Não espera acontecer”, é desse jeito mesmo vagabundo!

28 janeiro 2010

13 de Janeiro de 2010 - 10h35

Guarulhos não pode virar um “piscinão”

O resultado das fortes chuvas que castigaram a região metropolitana de São Paulo no últimos dias, fez soar uma sirene: Guarulhos não pode virar um “piscinão” de São Paulo. Os temporais também fez suscitar o debate sobre a drenagem em nossa cidade. Diante disso, cabe ao poder público de Guarulhos discutir com mais profundidade o tema drenagem, levando em consideração a interligação fluvial que existe entre a nossa cidade e seus municípios vizinhos. Principalmente com a Capital São Paulo.

Ao falarmos sobre drenagem, mais precisamente sobre o escoamento da água da chuva, não podemos deixar de citar as regiões do Presidente Dutra, Lavras e Vila Any que em pleno aniversário de Guarulhos foram inundadas por enchentes. Na Vila Any, em especial, cerca de 50 famílias ficaram desabrigadas. A volumosa quantidade de água, sem ter para onde fluir, ali estacionou e causou grandes prejuízos e riscos a saúde dos moradores, - infelizmente pessoas simples que não tem como repor o que perderam.
Pretendo, nas linhas que se seguem abaixo, elencar três pontos que aliados a um fluxo maior de chuva, contribuíram para que cidadãos guarulhenses, ao invés de comemorarem os 449 anos de sua cidade, tivessem de se mobilizar na tentativa de não morrerem afogados e salvarem os poucos bens que possuíam.
O primeiro deles envolve a Usina da Traição. Inaugurada em 1940, este equipamento tem como objetivo reverter o curso das águas dos rios Tietê e Pinheiros, para serem encaminhadas à Usina Elevatória de Pedreira e depois ao Reservatório Billings. Na terça-feira 8, a Usina da Traição traiu o governo e principalmente a população, pois a manobra de conversão não foi realizada. É interessante se verificar como vai a manutenção deste complexo.
O segundo ponto trata sobre a Barragem da Penha. Para evitar que uma cheia maior atingisse a Marginal Tietê e bairros em seu entorno, comportas desta barragem foram fechadas. Assim, o refluxo de água de Guarulhos que deveria fluir por dentro de São Paulo retornou e atingiu mais gravemente a Vila Any. “É como se o governo do Estado, por meio do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) tivesse o direito de poupar uma cidade e sacrificar outra”. Resumindo, para aliviar a situação de São Paulo, pois o Rio Tietê já havia recebido grande quantidade de água do Rio Pinheiros, devido a não conversão da Usina da Traição, fecharam de forma fria e cruel comportas da Barragem da Penha.
O terceiro e último fator que agrava a situação envolve o governo do estado e a prefeitura de Arujá. Ambos continuam executando uma obra de canalização, retificação e impermeabilização na montante do Rio Baquirivu aumentando o volume e a velocidade das águas que vêm para Guarulhos.
Deixando rivalidades partidárias de lado, vejo que a Câmara Municipal, local onde atuo como vereadora, deve tratar com urgência estas questões, junto aos deputados estaduais da Frente Parlamentar das Águas da Assembleia Legislativa. Este é um assunto que deve ser resolvido tecnicamente, sem paixões políticas. Temos que considerar, por fim, o desrespeito ao meio ambiente e o pragmatismo desenvolvimentista, desrespeita a áreas naturais de acomodação das águas prejudicando a qualidade de vida dos moradores das grandes cidade.
Luiza Cordeiro, vereadora em Guarulhos, membro do Comitê Estadual do PC do B, e presidente da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Câmara.

26 janeiro 2010

26 de Janeiro de 2010 - 0h44

A São Paulo prodigiosa de Kassab só existe na novela da Globo

Tal como a personagem delirante de Renée Zellweger no filme A Enfermeira Betty (2000), Gilberto Kassab talvez pense viver dentro de uma telenovela. A São Paulo apregoada nos discursos do prefeito — uma metrópole prodigiosa e moderna, imune às intempéries e à politicagem — só pode ser vista, atualmente, em Tempos Modernos, a nova “novela das 7” da TV Globo.
Por André Cintra

Não é preciso passar pelas ruas paulistanas para saber que São Paulo — a “cidade-locomotiva” que “não pode parar” — simplesmente parou. Administrada por um dos piores prefeitos de sua história, a capital paulista mal pôde comemorar seu 456º aniversário, em meio a sucessivos recordes de alagamentos, trânsito e mortes.
Os poucos e atabalhoados depoimentos de Kassab evidenciaram ainda mais o descaso da gestão demo-tucana em São Paulo. Soldado do governador paulista, José Serra, e craque na arte de dar declarações oficiais que serão rapidamente desmentidas pelos fatos, o prefeito orientou a população a “ficar tranquila”. As ações da Prefeitura, segundo ele, “estão surtindo efeito”. O que ocorreu “não foi um caos”, “não houve falhas”.
De duas, uma: ou Kassab precisa pedir licença do cargo por incapacidade mental, ou virou garoto-propaganda da novela da Globo. Viver tranquilamente numa São Paulo sob chuva, sem “falhas” nem “caos”? Só mesmo nessa ficção exibida nos fins de tarde pela emissora da família Marinho, com cenários estilizados e uma São Paulo maquiada.

Uma novela problemática

O autor de Tempos Modernos, Bosco Brasil, invocou sua “grande paixão” pelo Centro para “fazer uma São Paulo linda e limpa”, com uma estética higienizante. Na trama, o cinema pornô situado ao lado da Galeria do Rock foi convertido em cinema de arte, e uma sapataria antiga virou livraria. “Vou mostrar na novela o Centro como eu acho que deveria ser e como pode ser daqui a um tempo”, explicou-se o autor.
Bosco é um dramaturgo de valor — quem viu Novas Diretrizes em Tempos de Paz que o diga. Em princípio, não há nada de errado em sua opção de edulcorar a imagem da região central paulistana, nem no objetivo declarado de “sensibilizar as autoridades de que o Centro precisa ser revitalizado”. Mas uma novela, a exemplo das demais artes narrativas, não vem com bula ou legenda.
Uma vez lançada ao público, a obra se insere em outros contextos e fica sujeita a todo tipo de interpretação. Gillo Pontecorvo formulou A Batalha de Argel (1966) como um libelo libertário, antiguerra. Nunca poderia imaginar que, sob o governo de George W.Bush, o Pentágono recomendaria a exibição do longa para inspirar os soldados americanos no Iraque. O brasileiro Tropa de Elite (2007) foi planejado como filme-denúncia contra o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), mas tinha tantas imprecisões e ambiguidades que acabou tachado de “fascista”.
Da mesma forma, Tempos Modernos, lançada neste estratégico ano eleitoral de 2010, se assenta como uma luva na propaganda eleitoral demo-tucana em São Paulo. “Podem me chamar de ingênuo ou até desinformado, mas considero que o cenário retocado, limpo, do centro de São Paulo apresentado em Tempos Modernos (...) está muito longe do real — mas tem tudo para ser o nosso futuro. A emissora talvez esteja apenas antecipando o que vamos ser”, escreveu Gilberto Dimenstein, o mais tucano dos jornalistas da grande mídia.
Fator cracolândia

Que a novela tenha êxito e aqueça as boas iniciativas de recuperação da cidade. Mas não será no atual governo que São Paulo e seu Centro vão se revitalizar. Desde que herdou a Prefeitura de José Serra, Kassab acumula uma gestão deserta de ousadia e paupérrima de ideias. Para muitos dilemas crônicos da cidade, a gestão, sob uma austeridade de fachada, aposta em pressupostos e medidas que chegam a ser primários.
A política de combate à cracolândia é um exemplo disso. Em outubro de 2007, Kassab anunciou o fim repentino da maior “boca de fumo” de São Paulo, pela qual passavam cerca de 2 mil usuários de crack por dia. “Não existe mais a velha cracolândia deteriorada, a serviço da droga, a serviço do crime. Cada vez mais essa é uma página virada na história de São Paulo”, discursou ele em meio à implantação do Nova Luz — uma iniciativa essencialmente privatista, embalada como projeto de revitalização do Centro.
Mas a cracolândia, em operação há mais de 20 anos, não apenas se expandiu por mais e mais ruas do Centro como também levou a Prefeitura a postergar a implantação do Nova Luz. Com a falência da Operação Cracolândia, Kassab se viu forçado a lançar outro plano — o Centro Legal —, que autorizou 20 órgãos públicos a agirem em conjunto no combate ao tráfico de crack. Até aqui, devido à falta de coordenação e aos resultados pífios, trata-se de uma nova catástrofe.
Enquanto ouve promessas de revitalização, a população do Centro despencou de 411 mil habitantes em 1996 para 328,5 mil em 2008. A região, entretanto, concentra metade dos 8 mil moradores de ruas contabilizados pela Prefeitura. No caos que tomou São Paulo após as chuvas de dezembro e janeiro, as ruas centrais foram ainda as que mais registraram novos pontos de alagamento.
Dos "prefeitos biônicos" aos prefeitos-ventríloquos

Se Kassab foi malsucedido até nessa região mais privilegiada — e prioritária em seu governo —, pouca expectativa sobra para os moradores da periferia, que são os mais prejudicados pelo caos da cidade. A queda de aprovação do prefeito (de 46% em 2008 para 28% em 2009, conforme o Ibope) é um indício de que os paulistanos estão mais atentos à sua realidade e desconfiados das promessas do Executivo municipal. O que dizer, então, dos 57% que, segundo a mesma pesquisa, admitem que deixariam a cidade se pudessem?
Vai ficando cada vez mais evidenciado que a gestão demo-tucana faz mal para São Paulo e para os paulistanos. A relação Serra-Kassab faz lembrar os chamados “prefeitos biônicos” — que eram nomeados de acordo com os interesses da ditadura militar (1964-1985) e atuavam estritamente de acordo com o regime. Um dos mandatários daquele tipo, o engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, chegou a ser exonerado pelo governador Laudo Natel apenas por declarar que São Paulo sofria de “encefalite urbana” e precisava “parar de crescer”.
O expediente do prefeito biônico é coisa do passado — mas, em São Paulo, foi substituído pelo prefeito-ventríloquo Kassab, incapaz de tomar uma medida sequer sem o aval do governador e presidenciável Serra. A cidade segue sem planejamento, e não há drama humano — real ou fictício — que comova os atuais governantes. São Paulo parou não porque precisava parar, mas, sim, porque ficou nas mãos de administradores duvidosos.
Oxalá mesmo que a metrópole de Tempos Modernos vire realidade. Antes dessa transformação, porém, é mais provável que a credibilidade da gestão demo-tucana seja dilapidada pelas enchentes paulistanas. Depois de sofrer da síndrome da enfermeira Betty, Kassab talvez se esqueça de novela e acabe mesmo como o “velho marinheiro” de Samuel Taylor Coleridge: “Ah, sozinho, sozinho, inteiramente só, num largo, largo mar”.

fonte: Vermelho.org